<T->
           Histria ParaTodos
           Histria -- 2a. srie
           Ensino Fundamental

           Conceio Oliveira 

<F->
Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio So Paulo, 2006 da editora Scipione
<F+>

           Segunda Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
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          -- 2007 --
<P>
          Copyright (C) Maria da 
          Conceio Carneiro Oliveira

          Edio: 
          Solange A. de A. Francisco

          Assessoria pedaggica 
          (colaborao):
          Alessandra R. S. X. Oliveira
          Marco Antonio de Oliveira
          Maria Beatriz M. L. da Silva

          ISBN 85-262-5426-X-AL

          Av. Otaviano Alves de 
          Lima, 4.400 6 andar e andar 
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~,www.scipione.com.br~,
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<F+>
<P>
                               I
 Sumrio

 Segunda Parte

 Unidade 2

 Milagres do povo ::::::::::: 75
 1- Nossas razes
  africanas ::::::::::::::::: 76
 Cadeira de balano: Diga
  no ao preconceito! ::::::: 76
 Rota de viagem ::::::::::::: 80
 Refletindo e produzindo
  com Marina ::::::::::::::: 86
 A diversidade de povos
  africanos ::::::::::::::::: 88
 Conhecendo um pouco da
  mitologia *Iorub* ::::::: 97
 Histrias de Oxal :::::::: 99
 O mundo que os escravos
  e os senhores criaram ::::: 104
 Preconceitos e persegui-
  es aps a abolio da
  escravido :::::::::::::::: 112
 Andar com f eu vou, a f
  no costuma falhar :::::::: 120
 Para saber mais :::::::::::: 122
 2- Nossas razes
  europias ::::::::::::::::: 123
 Rota de viagem ::::::::::::: 123
 Cadeira de balano: "Pro-
  messa  sagrada" ::::::: 128
 Refletindo e produzindo
  com Zequinha e
  Rodrigo :::::::::::::::::: 135
 Os nossos povos indgenas
  foram e esto sendo
  catequizados, mas :::::: 140
 A f no pode ser cega ::::: 144
 Para saber mais :::::::::::: 149
 3- Nossas razes
  indgenas ::::::::::::::::: 151
 Rota de viagem ::::::::::::: 151
 Cadeira de balano: Meu
  canto  de paz :::::::::::: 153
 Refletindo e produzindo
  com Taguat-Mirim ::::::: 158
 Cantar e danar so meios
  de se encontrar ::::::::::: 159
 Dana para guerreiros e
  guardies ::::::::::::::::: 161
 Msica, dana e luta de
  renascimento :::::::::::::: 164
 Para saber mais :::::::::::: 169

<thist. paratodos 2>
<47>
<t+75>
 Unidade 2

 Milagres do povo

<R+>
 Tem gente que  ateu,
 que no cr em nenhum deus.
 Tem gente que tem f
 em muitos e diferentes deuses.
 Tem gente que acredita
 em um nico e poderoso deus.
 Eu acredito em mim, em voc, em ns,
 nos milagres do nosso povo.
 E voc, no que cr?
<R->

  As imagens de fundo so: de tronco de ritual *Kuarup*; da Baslica 
do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG), em 
1999 (foto de Claudio Larangeira); da esttua de Iemanj, na Praia 
Grande (SP), em 2001 (foto de Elza Pereira/Angular); de templo 
budista, em Porto Alegre (RS), em 2000 (foto de Andre Feltes/Agncia 
RBS).

<48>
<R+>
 1- Nossas razes africanas

 Cadeira de balano:

 Diga no ao preconceito!
<R->

  Marina chegou toda suada da escola. Tinha jogado muita capoeira. Ela adora praticar essa luta, que  ao mesmo tempo uma dana, na qual tem muita habilidade. Sabe gingar e at dar meia lua! Assim que passou pela portaria, avistou Irenildes, a empregada do apartamento 71, que estava com as compras do supermercado.
  Marina gosta muito de Irenildes, a quem chama carinhosamente de Ides. Irenildes  uma jovem bonita, alegre, de bem com a vida, pois, como ela mesma diz,  "guiada por Iemanj".
  -- Por favor, Ides, segure a porta do elevador. Vou subir contigo!
  -- Claro, Marina, venha! Quem trouxe voc?
  -- Painho! Ele combinou com minha me que me pegaria na escola, porque hoje ela teria uma reunio e no poderia me buscar.
  -- Ah! Est certo, ento -- disse Irenildes, em seguida comentando admirada:
  -- Nossa! Suada assim, voc s poderia estar jogando capoeira, no ?
<49>
  -- Estava sim, Ides. Hoje ns jogamos capoeira bem baixinho.
  -- Eu sei. Jogou capoeira d'Angola, no foi?
  -- Foi. Como voc sabe? Voc no joga capoeira...
  -- Mas meu rei joga! -- era assim que Irenildes se referia a Jair, seu namorado.
  -- Ah!  mesmo! Tinha me esquecido!
  O elevador parou no quinto andar para Marina descer. Antes de sair, a menina perguntou:
  -- Ides, voc j preparou tudo para a festa de Iemanj?
  Irenildes saiu com carrinho e tudo do elevador, para no prend-lo no quinto andar e poder continuar a conversa com a menina:
  -- Preparei, sim, mas no posso estar l bem cedinho porque  dia 
de trabalho. E por falar nisso, Marina, a que horas sua me chega da reunio?
  -- Daqui a pouco, por qu?
  -- Porque preciso de um grande favor, e sei que dona Lusa vai me ajudar...
  -- Que favor? -- perguntou Marina, muito curiosa.
  -- Se voc prometer ficar quietinha, eu conto.
  -- Prometo!
  -- Amanh vou chegar bem cedo e, antes de subir para o 71, vou deixar aqui a minha cesta de oferendas. Preciso que sua me a guarde para mim e me entregue  tarde, na barraquinha da dona Lourdes, que vende flores. Voc sabe qual ?
<50>
  -- Sei sim. Mas  s isso? Pensei que era uma coisa proibida!
  -- De certa forma , Marina, infelizmente. Deixe-me explicar...
  Meus patres no gostam de nada relacionado ao candombl, porque 
eles so de outra religio. No conhecem nada sobre o assunto e tm 
muito preconceito. Eles chamam *og* e *ialorix* de catimbozeiros. V se pode!
  -- Nossa, Ides! Que coisa! Minha me vai ficar brava. Sei at o que ela vai dizer: "Esses ignorantes, preconceituosos!".  bem capaz de ir bater l no 71 para tirar satisfao.
  -- Quietinha, Marina! Algum pode ouvir...
  -- E o que  que tem, Ides?
  -- No vale a pena. No quero arrumar confuso, menina. Quero 
apenas saudar Iemanj. Se dona Lusa for ao 71 tirar satisfao, s 
vai se irritar. Tambm no posso perder meu emprego. Apesar do desprezo que meus patres tm em relao ao candombl, eles me tratam bem. No vou deixar de praticar minha f por causa disso, mas no quero entrar em conflito com eles.
  -- Est bem, eu explico pra ela, no se preocupe, Ides. E pode ter certeza: Iemanj vai ficar muito feliz com suas oferendas.
  Aliviada, Irenildes voltou para o elevador. Sabia que tinha duas aliadas para o 2 de fevereiro, dia de Janana, a Rainha do Mar.
<51>

<R+>
 Rota de viagem
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Existem diferentes religies. Quais voc conhece?

 2. Observe a descrio das fotografias a seguir. Todas so de templos religiosos. Voc conhece algum deles?
<p>
 _`[{foto 1: tirada em 2002, mostra a mesquita Muulmana de Curitiba 
(PR): uma construo com duas torres com minaretes e telhado em forma  
de cpula_`]
  Responda oralmente:
 Legenda: A foto acima  de uma *mesquita*. Qual  a sua impresso sobre esse tipo de construo? O que mais lhe chamou a ateno? Voc j viu um templo parecido com esse na cidade onde mora?
<R->

<R+>
 _`[{foto 2: tirada em 1999, mostra a Baslica do Senhor Bom Jesus de  
Matosinhos, em Congonhas (MG): construo com duas torres com sinos, 
uma escadaria ladeada por esttuas dos profetas e cruzes no alto das 
torres_`]
 Legenda: Voc j viu esse tipo de construo na cidade onde mora?
<R->

<52>
<p>
<R+>
 _`[{foto 3: tirada em 1997, mostra a sinagoga Centro Israelita de 
So Paulo, em So Paulo (SP): construo circular com a estrela de 
Davi e inscries em hebraico, na fachada_`]
 Legenda: A foto acima retrata uma sinagoga*. O que mais chamou a sua ateno nesse tipo de construo? Voc j viu um templo parecido com esse na cidade onde mora?

 _`[{foto 4: tirada em 2001, mostra a Congregao Crist do Brasil, 
em So Paulo (SP): construo em linhas retas, com Jardim_`]
 Legenda: Na cidade onde voc mora, h templos como esse da foto 
acima?
<p>
 _`[{foto 5: tirada em 2004, mostra o templo *Soto Zenshu*, em So 
Paulo (SP): construo trrea. Com telhado e lampies tpicos_`]
 Legenda: Esse templo tem caractersticas orientais em sua 
construo, mas foi erguido em solo brasileiro. Em sua cidade h 
algum templo que tenha esse estilo arquitetnico?
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 3. Os fiis freqentam os templos para praticar sua religio. 
Discuta com seus colegas e procure identificar qual religio  
praticada em cada templo mostrado nas fotografias.
<R->

<53>
  Os templos, que so lugares em que os devotos se renem para 
praticar sua religio, tm formas e estilos de construo que variam 
de religio para religio. Podem ser grandes catedrais ou mesmo 
espao improvisado onde os fiis se renem para realizar seus 
rituais, ensaiar seus cnticos ou danas sagradas, fazer suas oraes 
e tambm aprender mais sobre a religio e fortalecer a f.

<R+>
 4. Observe a descrio das fotografias a seguir e responda por 
escrito:
 a) Qual foto voc acha que retrata um terreiro de umbanda? Por qu?
 b) Qual delas voc acha que retrata um centro esprita? Por qu?
 c) E qual retrata uma casa de reza Guarani? Por qu?

 _`[{foto 1: grupo de pessoas, vestidas de branco, sentadas em 
crculo, orando_`]
 Legenda: So Paulo (SP), 2001.

 _`[{foto 2: Paj rezando um rapaz, perto de uma bacia com ervas_`]
 Legenda: Tacuru (MS), 2000.
<p>
 _`[{foto 3: algumas pessoas, com roupas branca e azul, danam e 
cantam num terreiro_`]
 Legenda: Rio de Janeiro (RJ), 2000. 
<R->
 
<54>
  Muitos rituais religiosos tambm so praticados fora dos templos, em lugares considerados sagrados por seus fiis.
  A festa de Iemanj, por exemplo, realizada pelas religies 
afro-brasileiras, como o candombl e a umbanda, rene seus fiis em 2 
de fevereiro nas praias ou reas ribeirinhas de vrias regies do 
pas. Eles acreditam que essa divindade, Iemanj, mora no mar, 
protegendo os pescadores e os navegantes.

<R+>
 _`[{foto tirada em 2001, em Praia Grande (SP), mostra uma esttua de  
Iemanj, rodeada de flores_`]
 Legenda: Para os praticantes de religies afro-brasileiras,
  Iemanj  a rainha soberana do mar.
<R->
 
<R+>
  Responda oralmente:
 5. Voc sabia que, em alguns altares de terreiros de umbanda, Iemanj  representada por uma sereia?
 6. Voc j foi a uma festa de Iemanj?
 7. Se a sua resposta  pergunta anterior foi afirmativa, em que cidade a festa foi realizada? O que voc achou?
 8. Voc conhece outras festas religiosas parecidas com essa?
<R->

<55>
<R+>
 Refletindo e produzindo com Marina
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Irenildes  devota de Iemanj e estava com um grande problema. Ela precisava da ajuda de Marina e de dona Lusa. Qual era esse problema?
<R->
<p>
  Como Marina havia previsto, dona Lusa, sua me, ficou indignada com a atitude dos patres de Irenildes. Mas no foi conversar com eles. No dia seguinte, levou a cesta de oferendas at a barraquinha de dona Lourdes, longe das vistas dos patres da moa.
  Marina ajudou Irenildes, explicando para a me que a moa precisava do emprego e aceitava o fato de seus patres no conhecerem e rejeitarem sua opo religiosa.

<R+>
  Responda oralmente:
 2. O que voc achou da atitude de Marina?
 3. Se voc estivesse no lugar de Marina, agiria da mesma forma que 
ela? Por qu?

  Responda por escrito: 
 4. Com um amigo ou uma amiga, discuta esta questo:
 a) Segundo Irenildes, seus patres no gostam de candombl porque 
no o conhecem. Vocs acham que, se eles aprendessem mais sobre essa 
religio afro-brasileira, no teriam preconceito? Por qu? Registrem 
as concluses.
<R->

<56>
<R+>
 A diversidade de povos africanos
<R->

  Os vrios tipos de candombl praticados no Brasil da atualidade so religies criadas pelos descendentes afro-brasileiros.

<R+>
 1. Observe atentamente o mapa a seguir para conhecer as regies de origem dos povos africanos:

 Principais regies de onde vieram os povos africanos

 _`[{rea de origem dos Sudaneses (no continente africano): Cabo 
Verde e So Jorge da Mina.
  Desembarque no Brasil: So Lus, Olinda e Salvador.
  rea de origem dos Bantos (no continente africano): Luanda, 
Benguela e Moambique.
  Desembarque no Brasil: Salvador e Rio de Janeiro_`]
<R->

  Se levssemos em conta os dialetos e as lnguas faladas no continente africano, poderamos somar cerca de trs mil lnguas diferentes. Mas no  s na maneira de falar que os povos africanos diferem. A diversidade desses povos se reflete tambm no modo de vida, nos costumes, nos hbitos e nas tradies. Para as nossas terras, foram trazidos como escravos povos africanos de culturas sudanesas, originrios da frica Ocidental, e povos de culturas bantas, vindos da frica Centro-Meridional. 
<57>
  Por volta de 1550, chegaram ao nosso territrio os primeiros 
escravos africanos. Entre os povos de culturas sudanesas que foram 
trazidos foradamente para as nossas terras, estavam os *Nag* ou 
*Iorub*, os *Jeje* ou *Fon*, os *Fanti-axnti*, os *Ijex* e os 
*Egb*. Entre os povos de cultura banta que aqui chegaram como 
escravos estavam os *Quimbundo*, os *Quicongo*, os *Cabinda*, os Moambique e os *Caanje*.
  Para representar essa diversidade,  possvel mencionar que apenas entre os povos de cultura banta existem cerca de trezentas lnguas! E as diferenas no paravam por a. Entre esses povos, havia pastores e agricultores, e, entre os agricultores, aqueles que cultivavam mais gros e outros que plantavam mais tubrculos. Havia ainda, entre os bantos, caadores e coletores e outros povos que baseavam suas atividades no comrcio, vendendo e comprando diferentes produtos. Alguns desses povos viviam se mudando de um lugar para outro e se organizavam em pequenos grupos, com chefes que lideravam a todos. Outros se fixavam em um territrio e construam pequenos reinos; outros, ainda, formavam grandes reinos, dominando diversos povos.

<R+>
 2. Observe a descries das imagens a seguir. Elas so fotos de tecidos confeccionados por dois povos africanos.

 _`[1: pedao de tecido com desenhos geomtricos_`]
 Legenda: Tecido tpico do povo *Axnti*, de Gana, na frica.

 _`[2: pedao de tecido com desenhos variados e assimtricos_`]
 Legenda: Tecido tpico do povo *Kuba*, da Repblica Democrtica do 
Congo, na frica.

  Responda oralmente:
 a) Voc j viu tecidos parecidos com esses? 
 b) Que semelhanas e diferenas h entre eles?
<R->

<58>
<p>
<R+>
 3. Observe, agora, a descrio do mapa do continente africano.

 _`[{o mapa destaca a localizao dos grupos sudaneses, bantos e 
outros povos; os pases atuais e a rea onde vivem os povos relacionados a seguir_`]

 Povo: Axanti -- pas: Gana.
 Povos: Azande, Bambata, Bandaka, Kongo, Kuba, Mangbetu, Songue -- 
pas: Repblica Democrtica do Congo.
 Povo: Baga -- pas: Guin.
 Povo: Bacota -- pas: Gabo.
 Povos: Bambara, Dogon, Marka -- pas: Mali.
 Povos: Bamileque, fang -- pas: Camares.
 Povos: Baule, Dan, Fula, Guro, Niabwa -- pas: Costa do Marfim.
 Povos: Benin, If, Iorub, Pob, Xamb -- Pas: Nigria.
 Povo: Bijag -- pas: Guin-Bissau.
 Povos: Bobo, Mossi -- pas: Burkina Faso.
 Povo: Fon -- pas: Benin.
 Povo: Hutu -- pas: Ruanda.
 Povo: Maconde -- pas: Tanznia.
 Povo: Somba -- pas: Togo.
 Povo: Teke -- pas: Congo.
 Povo: Tuareg -- pas: Nger.
 Povo: Tutsi -- pas: Burundi.

  Responda por escrito:
 o O que esse mapa representa? 

<59>
 4. Agora, observe estas imagens descritas por suas legendas.

 o Colher de madeira, utilizada pelo povo Dan, da Costa do Marfim, na frica. Com essa colher as mulheres Dan oferecem arroz aos convidados em sinal de boas-vindas.

 o Mscara de madeira, pertencente aos *Iorub*. Os *Iorub* da 
atualidade vivem entre a Nigria e Benin, na frica. Entre esses
povos existem grupos organizados por idade, sexo, profisso etc. Essa 
mscara  da associao feminina
 *Gueled*, existente entre os 
Iorub, cuja finalidade  cultuar os ancestrais femininos.

  Responda oralmente:
 o Voc j viu imagens parecidas com essas?

 5. Observe novamente a descrio das imagens da pgina 91 e da 
atividade 4, acima. Com base nas informaes da legenda de cada uma, 
escreva o nome do povo que produziu:
 a) o tecido da foto 1;
 b) o tecido da foto 2;
 c) a mscara;
 d) a colher.

 6. Agora, encontre na descrio do mapa o nome desses povos. A 
seguir, registre ao lado das respostas da atividade anterior, o nome 
dos atuais pases africanos onde esses povos vivem.
 7. O que mais chamou sua ateno nas imagens da pgina 91 e da 
atividade 4, acima? Por qu? Conte aos colegas.
<R->

<60>
<R+>
 8. Alguns viajantes, como o artista francs Jean Baptiste Debret, 
retrataram rostos de africanas e africanos que viviam no Brasil no 
sculo XIX. Veja a seguir alguns desses rostos.

 _`[{a seguir, as etnias africanas retratadas_`]
<R->
 
  Nao Benguela, Nao Mina, Nao Cabinda, Nao Caanje, Nao 
Moambique, Nao Congo, Nao Rebolo, Nao Monjolo.

<61>
<R+>
  Responda oralmente:
 9. Voc percebeu que os traos, as marcas nos rostos, os adereos, 
os penteados, os enfeites e os cortes de cabelo variam entre os povos negros mostrados nas imagens da atividade anterior?
<R->

  Segundo Debret, os negros retratados na pgina anterior pertencem a vrias naes do continente africano, vindos dos portos da regio do Congo, de Moambique e outros. Mas  muito difcil saber exatamente de que lugar vieram essas pessoas e a que povos pertenciam, porque muitas vezes elas eram capturadas longe dos portos de onde saam os navios negreiros que as transportavam para o continente americano, a fim de serem vendidas como escravas.

<R+>
  Responda oralmente:
 10. Em que tipo de atividade os escravos trabalhavam nas terras americanas?
<p>
 Conhecendo um pouco da mitologia *Iorub*
<R->

<R+>
  Responda por escrito:
 1. Voc sabe o que so orixs?
<R->

  Os orixs so divindades do povo *Nag*, que foi trazido como 
escravo para o nosso territrio. Esse povo africano de lngua *Iorub* recriou, originalmente na Bahia, sua religio, o candombl.  por isso que os orixs so as divindades do candombl. Vamos conhecer alguns deles.

<62>
<R+>
 2. Orixs do candombl.

 Exu -- Oxum -- Eu -- Oi-Ians -- Iemanj --
  Xang -- Ogum -- 
Oxssi -- Omolu-Obalua -- Ob --
  Oxagui -- Oxal -- Iroco -- Logum 
-- Ed -- Ossaim --
  Oxumar -- Nan
<R->

<63>
<p>
  Que tal conhecer um pouco da histria dos orixs citados? Antes, vamos entender o que  um mito.
  *Mito*  uma narrativa, uma histria que nos conta coisas sobre a natureza, o funcionamento do universo, o nascimento dos seres, e que no recorre s explicaes cientficas. Cada povo, em diferentes perodos da Histria, criou diferentes mitos para explicar, por meio deles, por que as coisas funcionam de uma forma ou de outra, por exemplo, por que o cu  azul, por que existe o Sol, a Terra...
  Os mitos dos orixs so histrias exemplares de como o mundo se fez pelas aes dos deuses e dos seres humanos.
  Todos os povos criaram seus mitos sobre a origem da humanidade. No 
mito de criao dos judeus, incorporado pelos cristos, foi Deus quem 
criou a humanidade, modelando com barro o primeiro homem, chamado 
Ado e, depois, da costela de Ado, produziu Eva, a primeira mulher. 
Para os povos de lngua *Iorub*, o grande arteso da humanidade  
*Oxal*. Vamos conhecer um pouco sobre esse orix? Oua atentamente 
as histrias a seguir.

<R+>
 Histrias de Oxal
<R->

  Oxal  filho do senhor do cu, chamado *Olorum* ou *Olodumare*. 
Tinha como misso criar o mundo, as coisas do mundo e tambm a humanidade.
  Para dar origem aos seres humanos, Oxal usou o barro e o sopro de Olodumare, que  o deus supremo, aquele que criou todos os orixs.
  Outro mito *Iorub* conta que, certa vez, um escravo atirou uma 
grande pedra em Oxal. Essa pedra o partiu em mil pedaos.
 Exu tentou juntar os pedaos de Oxal, mas no conseguiu encontrar todos, que continuaram espalhados pelo mundo.  por isso que Oxal est em todo lugar.
<64>
  Um outro mito sobre Oxal esclarece como os povos de lngua 
*Iorub* explicam a morte. Segundo esse mito, a morte, chamada *Icu*, 
foi criada por Oxal, que se irritou com a ganncia e o desprezo dos 
seres humanos. Foi Oxal tambm quem, num acesso de fria, separou 
com seu basto o cu (chamado Orum) da terra (chamada Ai), por causa 
da sujeira que os homens faziam no
 Orum; e, desde ento, os homens 
vivem separados dos deuses. Os deuses passaram a viver no cu e os 
homens na terra. Antes disso, os homens podiam circular livremente entre o cu e a terra.

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc gostou das histrias que ouviu sobre Oxal? O que achou 
delas?
<p>
 2. Vamos conhecer histrias de outros orixs? Para isso, siga o roteiro:

 Pesquisando os orixs
 a. Rena-se em grupo com alguns colegas para fazer uma pesquisa sobre orixs.
 b. Pesquisem mitos de Iemanj e Exu e outros mitos de pelo menos mais dois orixs que vocs gostariam de conhecer melhor.
 c. Procurem saber quais so as cores das vestimentas desses orixs, os adereos e as ferramentas que usam, os alimentos de que mais gostam e quais no podem comer.
 d. Procurem descobrir quais so seus poderes, seus defeitos e suas qualidades.
 e. Anotem todas as informaes.
<R->

<65>
<p>
<R+>
 3. Agora, observe a descrio da imagem a seguir.

 _`[{mulheres descem e sobem por uma corda presa no cu_`]
 Legenda: *A corda que unia o cu e a terra*, de Patrcia Solari, 1999.

  Responda oralmente
 a) O que voc acha que est sendo representado nessa imagem?
<R->

  A artista plstica Patrcia Solari, descendente do povo 
*Guarani-Mby*, pintou em aquarela essa imagem. Nessa pintura, ela 
recontou o mito da corda que unia o cu e a terra. Trata-se de um 
mito dos povos indgenas
 *Toba* e *Kamaiur*.
<66>
  Segundo esse mito, os homens Toba, e tambm os Kamaiur, caavam na 
terra e guardavam seus mantimentos no teto de suas casas. As mulheres 
desses povos desciam do cu por uma corda de caraguat
<p>
 e roubavam os mantimentos dos homens. Estes, por sua vez, j cansados de ver seus alimentos desaparecerem, decidiram colocar o coelho, o papagaio e o gavio para vigiar os mantimentos e descobrir quem os levava embora.
  O papagaio foi o primeiro a entender o que acontecia. Vendo as mulheres descerem pela corda, partiu-a com seu bico. No mesmo instante, as mulheres caram e ficaram atoladas na terra. Ento, foram salvas por um tatu e entregues aos homens, para que eles e as mulheres formassem casais. Assim, foi interrompida a ligao entre o cu e a terra e teve incio a unio entre homens e mulheres.

<67>
<R+>
 4. Voc gostou do mito dos povos Toba e Kamaiur? Vamos fazer um 
exerccio de releitura, como
<p>
  fez a artista Patrcia Solari? Para 
isso, siga o roteiro:
 a. Escolha um dos mitos de orixs que voc pesquisou na atividade 2 
da pgina 101.
 b. Imagine que voc quer contar esse mito para algum, mas no pode 
usar palavras, ou seja, no pode represent-lo oralmente. Sendo 
assim, leia novamente a histria que narra o mito e, usando massinha 
ou argila, represente o orix, da forma que voc considerar mais 
significativa.
 c. Depois, com seus amigos de classe, organize uma bonita exposio dos trabalhos. No se esqueam de escolher um ttulo para a exposio. Bom trabalho!
<R->

<R+>
 O mundo que os escravos e os senhores criaram
<R->

  No continente americano, a escravido durou cerca de 400 anos. No h registros precisos sobre quando os primeiros trabalhadores africanos foram trazidos como escravos para as terras que hoje formam o Brasil. O documento mais antigo que menciona a vinda de escravos para c  de 1559, mas h indcios de que, mesmo antes dessa data, escravos africanos j tinham sido transportados para as nossas terras. A escravido durou at 1888, quando foi legalmente abolida em nosso pas.

<R+>
 1. Nas pginas seguintes, voc encontrar a descrio de uma srie 
de gravuras que retratam o cotidiano dos escravos no Brasil dos anos 
de 1800.
 a) Observe atentamente a descrio das imagens, suas legendas e os textos que as acompanham.
 b) Depois, escreva com suas palavras as atividades que os escravos realizam em cada ilustrao.
<R->

<68>
  A descrio das duas imagens a seguir, retratam atividades nas 
quais poderamos encontrar trabalhadores escravos durante os quase 
quatrocentos anos em que a escravido durou no continente americano. 
Observe-as atentamente para fazer a atividade 1:

<R+>
 _`[1: homem negro, descalo, cuida de escravos doentes_`]
 Legenda: O cirurgio negro, de Jean Baptiste Debret, sculo XIX.

 _`[2: escravos numa pedreira_`]
 Legenda: Pedreira, de Jean Baptiste Debret, sculo XIX.
<R->

<69>
  Durante a vigncia da escravido, para uma pessoa ser considerada importante na sociedade e tratada como livre nas terras que hoje formam o Brasil, tinha de ter pelo menos um escravo.
<p>
<R+>
 _`[3: dois escravos carregando um homem sentado numa rede_`]
 Legenda: O regresso de um proprietrio, de Jean Baptiste Debret, sculo XIX.
<R->

  Os escravos estavam em todos os lugares, executando diversos 
trabalhos, dos mais penosos at os que exigiam grandes habilidades. 
Dentre as atividades mais cansativas, desgastantes e at mesmo 
perigosas, havia o trabalho no campo durante muitas horas por dia; o 
trabalho realizado nas moendas* de cana para fabricar o acar, nas 
quais os escravos corriam riscos de acidentes; ou o trabalho de 
minerao, no qual os cativos passavam horas com os ps mergulhados 
nos rios em busca de ouro. Para exercer algumas das atividades que 
exigiam habilidades intelectuais, era preciso ter conhecimentos 
matemticos para administrar uma loja ou conhecer a
<p>
 cor, o cheiro e o 
ponto certo do xarope, ou seja, do mel de cana para a produo de 
acar de qualidade.
<70>
  Observe atentamente as prximas imagens e procure identificar as 
atividades dos trabalhadores escravos, como foi proposto na atividade 
1 da pgina 105.

<R+>
 _`[4: escravos, vigiados pelo feitor e observados pelo senhor de 
engenho, levando cana-de-acar de um carro-de-bois at a moenda_`]
 Legenda: Engenho de acar, de Johann Moritz Rugendas, sculo XIX.

 _`[5: grupo de escravos numa mina de ouro. Uns esto curvados, com 
as pernas dentro do rio, outros cavam na encosta do morro_`]
 Legenda: Lavagem do ouro, de Johann Moritz Rugendas, sculo XIX.
<R->

<71>
  O trabalho, de uma forma geral, mas principalmente o trabalho pesado, era associado  atividade de escravos. Tudo o que estava relacionado  escravido trazia a marca de uma vida sem liberdade. Ningum que era livre gostava de se ver associado  escravido, mesmo as pessoas pobres, que no tinham dinheiro para adquirir escravos e necessitavam trabalhar para viver.
  Assim, as sociedades escravistas do continente americano, como foi 
o caso da nossa sociedade at 1880, construram uma barreira entre o mundo dos escravos e o mundo de seus senhores.
  A escravido era, assim, o oposto da liberdade. Os escravos,
 tanto os que eram comprados no continente africano como os seus 
descendentes, nascidos em conti-
<p>
 nente americano, no tinham o direito 
de fazer escolhas, no tinham liberdade para expressar seus gostos ou 
suas preferncias, pois eram adquiridos para trabalhar, produzir e 
gerar riqueza para seus donos.

<R+>
 _`[6: grupo de africanos, seminus, e senhores bem vestidos. Num 
canto da ilustrao, v-se um escravo escrevendo na parede_`]
 Legenda: Mercado de escravos, de Johann Moritz Rugendas, sculo XIX.
<R->

<72>
  Os senhores, as autoridades civis e religiosas*, que enriqueciam com a escravido e tinham poder na sociedade, na maioria das vezes, perseguiam e at mesmo impediam as manifestaes culturais dos escravos.
  Vamos entender como isso acon-
<p>
 tecia por meio de um exemplo relacionado ao aspecto religioso. Entre 1500 e 1822, a religio oficial de Portugal e da colnia portuguesa na Amrica, hoje o Brasil, era o catolicismo. Os escravos eram obrigados a aceitar o batismo catlico, mas muitos continuavam a louvar seus orixs. Para isso, esses escravos e seus descendentes tinham de praticar seus cultos e rituais longe das vistas do senhor ou disfarar a sua devoo.

<R+>
 _`[7: duas mulheres negras descalas, carregando crianas, na porta da  
igreja_`]
 Legenda: Negras novas a caminho da igreja para o batismo, de Jean Baptiste Debret. sculo XIX.
<R->
<p>
<R+>
  Responda por escrito:
 2. Imagine que voc  um escravo africano que foi comprado pelo proprietrio de uma grande fazenda, na Bahia dos anos de 1600. Esse senhor, que era catlico, mandou batizar voc e os outros escravos. Mas voc no se esqueceu de seus orixs e praticava escondido, com outros companheiros escravos, rituais para seus deuses. S que um *feitor* descobriu e informou o seu senhor sobre esses rituais.
 o O que voc acha que aconteceria com vocs? Conte em forma de 
histria.
<R->

<73>
<R+>
 Preconceitos e perseguies aps a abolio da escravido
<R->

  Mesmo depois de 1888, que foi o ano em que a escravido legalmente 
acabou em nosso pas, os descendentes afro-brasileiros no ficaram 
livres para expressar sua devoo ou outras manifestaes culturais. 
Ao contrrio, depois da abolio da escravido*, em muitos casos, os 
preconceitos em relao aos libertos, aos seus descendentes e s suas 
expresses culturais aumentaram.

<R+>
 O rei foi embora, veio o presidente, mas as perseguies aos no-catlicos continuaram
<R->

  No ano de 1889, o Brasil deixou de ser administrado por reis e foi proclamada a Repblica, que  a forma de governo que temos at hoje, na qual um presidente eleito governa o pas. Mas esse fato no fez com que a vida dos no-catlicos ficasse melhor. Os judeus e os protestantes, assim como os praticantes das religies afro-brasileiras e das religies indgenas, tiveram, igualmente, dificuldades para expressar sua f.
  Os terreiros de candombl sofreram perseguies intensas. Em 
Salvador, capital da Bahia, cidade com forte presena de descendentes 
dos povos *Nag*, praticar candombl entre os anos de 1900 a 1940 no era uma tarefa fcil, apesar de a liberdade de culto religioso ser garantida pela Constituio da poca. Em Olinda, Pernambuco, o terreiro Santa Brbara, um dos mais tradicionais, foi fechado em 1938 e s foi reaberto alguns anos mais tarde.

<R+>
 Terreiro de candombl Nag, So Paulo (SP), 2004.
<R->

<74>
<R+>
 _`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Terreiro de Joozinho da Gomia, em Salvador (BA), na dcada de 1940. Joozinho aparece no centro, paramentado com as roupas do orix Ians, a deusa dos ventos e das tempestades.
<R->
<p>
  Os jornais baianos da poca faziam uma campanha intensa contra as religies afro-brasileiras, desmerecendo-as e no as aceitando como religies legtimas.
  Muitos terreiros de candombl foram fechados, os fiis, presos, e os objetos sagrados, apreendidos pela polcia.
  Durante esse perodo, os lderes religiosos do candombl fizeram de 
tudo para continuar a praticar a sua religio. Em Salvador, diante 
das batidas policiais, eles escondiam os objetos sagrados e diziam 
que cultuavam santos catlicos, como So Cosme e So Damio. Outros 
fundavam seus terreiros em lugares bem afastados do centro de 
Salvador. Havia tambm lderes que procuravam a proteo de pessoas 
consideradas importantes na sociedade e outros que enfrentavam a 
perseguio "declarando que sua religio no era nem mais nem menos 
do que qualquer outra, pedindo sade e
<p>
 felicidade, como faziam a 
religio catlica, os espritas...".

<R+>
 (Trecho de um artigo do jornal baiano *A Tarde*, de 1 jun. 1932. Citado por Angela Lhning no texto "Acabe com este santo, Pedrito vem a...". Revista USP, n. 28. Dossi Povo Negro -- 300 anos).
<R->

<75>
<R+>
 1. Formem grupos para ler e debater as principais informaes da matria publicada em 17 de dezembro de 2000, no *Jornal do Commercio*, de Recife, sobre a histria do terreiro Santa Brbara.
<R->

<R+>
 Babalorixs entoam cnticos seculares na lngua *Iorub*
<R->

  No incio da dcada de 1920, o babalorix Arthur Rozendo, fugindo da represso s casas de culto afro-brasileiro, mudou-se de Macei (AL) para Recife. Trs anos depois, no bairro de gua Fria, reiniciou suas atividades seguindo a tradio da nao Xamb.
  Arthur Rozendo iniciou muitos filhos-de-santo, dentre eles Maria das Dores da Silva, a Maria Oy, que em 7 de junho de 1930 inaugurou seu terreiro no bairro de Campo Grande, tambm em Recife, atualmente sediado em Olinda.
  O ano 2000 tem sido de festas para o terreiro Santa Brbara, da 
nao Xamb, na Rua Severina Paraso da Silva, Porto do Gelo, 
Beberibe, em Olinda. Um dos mais tradicionais de Pernambuco, est 
comemorando 70 anos de funcionamento, 100 anos de nascimento da 
ialorix (me-de-
 santo) Maria Oy, fundadora da casa, e 50 anos de 
reabertura do terreiro, fechado em 1938 [...].
  At hoje, no terreiro Santa Brbara so celebrados os rituais 
seculares da nao Xamb. Os cantos so entoados na lngua africana 
Iorub, apesar de os filhos-de-santo desconhecerem o significado das 
palavras.
  Segundo historiadores, o terreiro Santa Brbara  o nico de 
Pernambuco que adota o regime matriarcal* no seu comando. A me-de-santo, atualmente Donatila Paraso do Nascimento, 88 anos, comanda os rituais com o apoio de um pai-de-santo, seu sobrinho Ivo de Xamb.
<76>
  Para lembrar as trs datas marcantes de sua histria, ser 
realizado hoje, a partir das 16 horas, um toque para Ians (tambm 
conhecida como Santa Brbara, no sincretismo religioso*), deusa dos ventos e das tempestades e orix-patrono da casa.
  "O toque vai at s 20 horas, com dana, cnticos e oferta de mungunz aos convidados", conta o babalorix (pai-desanto) Adeldo Paraso da Silva, o Ivo de Xamb.
  Ele informa que os filhos-de-
 santo vestiro roupas de algodo (estampada para as mulheres), revivendo as primeiras tradies do terreiro, quando no se usava seda, renda e brilho, como nos dias atuais.
  Ainda como parte das comemoraes no terreiro, ser lanada hoje, durante o toque para Ians, a *Cartilha da Nao Xamb*. A publicao fala sobre a nao Xamb, originria de povos que habitavam os limites da Nigria com Camares, na frica, e tambm sobre os 14 orixs cultuados no terreiro Santa Brbara.

<R+>
 2. Com base na matria anterior, procurem responder, por escrito, as questes a seguir.
 a) Quais so as datas mais significativas para os membros do terreiro Santa Brbara e por que elas so assim consideradas?
 b) Na poca em que essa matria foi publicada, o terreiro Santa Brbara comemorava 70 anos. Por quais mudanas esse terreiro passou ao longo do tempo, em relao s vestimentas dos praticantes do candombl de tradio Xamb?
 c) Que tipo de dificuldades os lderes do terreiro Santa Brbara enfrentaram desde a sua fundao?

 3. Registrem outras informaes do texto sobre o terreiro Santa Brbara que o grupo considerar importantes. Depois, elaborem um texto coletivo; se desejarem, faam cartazes com colagens e desenhos para apresentar aos demais colegas.
<R->

<77>
<R+>
 Andar com f eu vou, a f no costuma falhar
<R->

  A perseguio e o preconceito s manifestaes culturais afro-
 brasileiras no passado, e algumas vezes presentes ainda hoje, no impediram que elas sobrevivessem e se firmassem na cultura brasileira.
  As prticas dos rituais de candombl, as danas, os instrumentos de 
percusso, como o atabaque, que marca o ritmo da capoeira, estilos musicais, como o samba, e tantas outras manifestaes culturais afro-descendentes so parte de nossa cultura.

<R+>
 _`[{ilustrao representando escravos praticando capoeira_`]
 Legenda: Capoeira, de Johann Moritz Rugendas, sculo XIX.

 _`[{foto de um grupo de homens numa roda de capoeira_`]
 Legenda: Praticantes de capoeira, Salvador (BA), 2002.
<R->

  Hoje, em nosso pas, a liberdade religiosa  garantida por lei.
<p>
  Ningum pode impedir uma pessoa de seguir sua religio, nem obrig-la a adotar outra religio.

 Para saber mais

<R+>
 *If, o adivinho*, de Reginaldo Prandi. So Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002.
 *Xang, o trovo*, de Reginaldo Prandi. So Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<p>
<78>
<R+>
 2- Nossas razes europias

 Rota de viagem
<R->

<R+>
 _`[{foto: tirada em 2003, em Belm (PA), mostra a festa do Crio de 
Nazar: milhares de pessoas acompanhando uma procisso_`]
 Legenda: A festa do Crio de Nazar  uma das comemoraes 
religiosas mais antigas de nosso pas. Na cidade de Belm, a primeira 
grande festa dedicada a Nossa Senhora de Nazar ocorreu em 1793. Ela 
representa, para grande parte da populao catlica dessa cidade e 
das cidades vizinhas, uma celebrao mais importante que o Natal. 
Durante quinze dias, todos os anos, no ms de outubro, milhares de 
pessoas mostram sua devoo a essa santa catlica.
<R->
<p>
<R+>
  Responda oralmente:
 1. Em sua cidade existe alguma festa religiosa to importante como a 
festa do Crio de Nazar  para os belenenses* e paraenses*?
<R->

<R+>
 _`[{foto: tirada em 2002, em Belm (PA), mostra uma romaria de 
barcos. Todas as embarcaes esto enfeitadas_`]
 Legenda: Esta foto retrata uma das novidades nas festividades do 
Crio nos anos de 1980: a romaria* de barcos. Eles partem do distrito de Icoaraci em direo ao Porto de Belm. A imagem de Nossa Senhora de Nazar  transportada em um desses barcos.
<R->

<R+>
 2. Voc conhece outra festividade religiosa que tem esse tipo de romaria? Qual? 
<R->

<79>
<p>
<R+>
 3. Observe a foto. Ela retrata uma das partes mais significativas da festa do Crio de Nazar, em Belm. Em sua opinio, que parte da festa  essa?
<R->

<R+>
 _`[{homens levam um andor com a imagem de Nossa Senhora de Nazar_`]
 Legenda: Festa do Crio de Nazar.
<R->

  Em Belm, no segundo domingo de outubro inicia-se a *procisso* do 
Crio, a mais disputada pelos fiis catlicos dentre as festividades 
do Crio de Nazar. Durante a procisso, a imagem de Nossa Senhora de 
Nazar  conduzida pelos devotos desde a Catedral Metropolitana, na 
Cidade Velha, at o largo onde fica a Baslica de Nossa Senhora de 
Nazar. Milhares de pessoas acompanham a procisso e outras tantas 
assistem  passagem da ima-
<p>
 gem da Virgem das janelas de edifcios ou 
acomodados em rvores, palanques e arquibancadas.

<R+>
 4. Observe a seguir a descrio de outras fotos das festividades do Crio de Nazar, em Belm.
<R->

<R+>
 _`[1: milhares de pessoas seguram uma corda_`]
 Legenda: Nesta foto  possvel ver a famosa corda que puxa o carro com a imagem de Nossa Senhora de Nazar.
<R->

<R+>
 a) Essa corda tem um significado muito especial para os devotos. Em sua opinio, o que ela representa para os fiis catlicos?
<R->

<80>
<R+>
 _`[2: devoto carregando a miniatura de uma casa na procisso do 
Crio de Nazar_`]
 Legenda: Os fiis catlicos acreditam que seus santos so
<p>
  milagrosos. Nas festas em homenagem a eles, muitos devotos pagam promessas em agradecimento s graas alcanadas ou pedem pelas que desejam alcanar. Na foto ao lado, no meio da procisso, a pessoa que carrega uma casinha provavelmente est pagando uma promessa ou deseja alcanar uma graa.
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 b) Que graa voc acha que essa pessoa conseguiu ou deseja alcanar?
<R->

<R+>
 _`[3: carro cheio de miniaturas de casas e carros, pacotes, caixas 
e cabeas de cera_`]
 Legenda: Nesta foto, v-se o Carro dos Milagres nas festividades do 
Crio de Nazar.
<R->

<R+>
 c) Observando essa foto, que objetos costumam ser colocados no Carro dos Milagres?
<R->

<81>
<R+>
 Cadeira de balano:

 "Promessa  sagrada..."
<R->

  -- Valei-me, minha Nossa Senhora de Nazar! -- gritou Zequinha de repente no meio do salo da igreja.
  As outras crianas, concentradas em suas leituras de catecismo*, olharam assustadas para Zequinha sem entender o que estava acontecendo. Recuperado do susto, Rodrigo, seu melhor amigo, perguntou:
  -- Que foi, Zequinha? Endoideceu, foi?
  -- Ai, Digo, Digo, Digo Nossa Senhora no vai me perdoar!
  -- Mas o que voc fez de to grave para ela no lhe perdoar? O corao de Nossa Senhora  muito grande, cabe tanta gente, mesmo os pecadores...
  -- Eu prometi e no cumpri, e no vai dar mais tempo de fazer o que prometi! Valei-me, Nossa Senhora! -- pedia Zequinha, de forma desesperada.
  -- Calma, Zequinha, fala uma coisa de cada vez: o que voc prometeu, para quem, por qu, para quando ?
  -- Ai! Estou nessa angstia e voc fica me enchendo de perguntas, Digo!
  -- Eu s quero ajudar e, para isso, preciso saber o que est acontecendo, enquanto voc s implora, se lamenta e no fala! Como vai conseguir resolver o problema?
<82>
  -- Est bem, no vai adiantar mesmo, mas eu vou falar. Meu pai 
passou por um grande aperto no ano passado. As mos dele no estavam 
boas; toda hora ele perdia o vaso que estava torneando e tinha de 
comear tudo de novo. Andava nervoso, triste, preocupado. Mas no 
podia parar de trabalhar, tinha uma entrega grande para mandar a So 
Paulo. Voc sabe que a gente vive disso, no ?
  -- Sei, Zequinha, mas o que tudo isso tem que ver com esse seu desespero de agora?
  --  que, vendo meu pai naquele estado, eu fiz promessa para Nossa Senhora de Nazar. Se meu pai ficasse bom, eu ia fazer um brinquedo de miriti pra ela.
  -- Seu pai ficou bom, Zeca?
  -- Ficou, sim. Minha me o atormentou at ele ir ao mdico. Ele tomou uns remdios e, agora, no fica o tempo todo no torno. De vez em quando, ele d uma paradinha e exercita as mos, os braos, o corpo.
  -- Ento no  to grave assim... -- disse Rodrigo.
  Zequinha, indignado, respondeu:
  -- Como no  to grave?  um grande pecado o que cometi! Eu devia ter procurado o miriti, para fazer um barco bem lindo e coloc-lo no Carro dos Milagres... Pela manh, quando vi a procisso de barcos saindo do trapiche, pensei: "Preciso fazer meu barquinho...". Mas o dia passou, eu tinha tanta coisa para fazer e esqueci... E amanh  o domingo do Crio! Como  que eu vou fazer?
<83>
  Antes que Rodrigo pudesse responder ao amigo, seu Antnio, o 
catequista* que preparava as crianas nos ensinamentos catlicos para 
a primeira comunho*, aproximou-se e perguntou:
  -- Que confuso toda  essa na casa do Senhor? Eu saio um minutinho 
para resolver assuntos im-
 portantes com o padre Batista e vocs, em 
vez de estudar o catecismo, fazem essa baguna?
  -- Desculpe, seu Antnio -- falou Zequinha. -- Ningum estava fazendo nada, a culpa  minha. Eu vou ser castigado por Nossa Senhora de Nazar.
  -- E que coisa to grave voc fez, menino?
  Antes que Zequinha pudesse se explicar, Rodrigo tomou a palavra e relatou todo o acontecido. Seu Antnio sorriu com seu jeito bonacho e disse:
  -- Zequinha, Nossa Senhora est vendo tudo isso. Ela sabe que voc no fez por mal. No se preocupe, no ano que vem, voc cumpre a promessa em dobro!
  -- No, seu Antnio, eu errei. Ela vai me castigar, meu pai vai adoecer novamente...
<84>
  -- Zequinha, oua bem, nada de ruim vai acontecer. Seu pai j est bem melhor e est seguindo as ordens mdicas. Nossa Senhora  a me de Jesus, no vai castig-lo de jeito algum.
  E, virando-se para o grupo, diz:
  -- Crianas, vocs esto aqui para aprender os ensinamentos cristos, para poder fazer a primeira comunho e seguir no caminho da santa Igreja Catlica. Hoje vocs aprenderam uma lio muito importante do catecismo: o perdo. Todo catlico fiel tem de saber perdoar. Perdoar ao prximo e perdoar a si mesmo. E se o perdo  um dos nossos ensinamentos, por que Nossa Senhora de Nazar no iria perdoar Zequinha, no  mesmo?
  As crianas concordaram com seu Antnio e olharam para Zequinha para confort-lo. E seu Antnio concluiu:
  -- Por hoje  s, crianas. Nossa reunio acabou. No sbado que vem no teremos aula de catecismo porque vamos preparar tudo para a procisso das Crianas, que acontece no domingo. Eu quero que vocs todos participem, est bem? Agora, sigam em paz e que Nosso Senhor Jesus e Nossa Senhora de Nazar os acompanhem.
<85>
  As crianas foram para suas casas. Zequinha seguiu to triste que 
no se despediu de Digo. Chegou em casa cabisbaixo e assim ficou, sem 
querer comer. Seus pais estranharam, tentaram conversar com o menino, 
mas ele no quis falar. Chorava baixinho, quando ouviu um som de palmas no porto e, em seguida, o pedido de sua me:
  -- Zeca, v atender, filho. Estou muito ocupada, preparando o jantar.
  Zequinha seguiu para a porta sem nenhum nimo e avistou Rodrigo com um embrulho fino e comprido nas mos.
  -- Boa noite, Digo. O que voc quer? Hoje eu no quero brincar, no...
  -- E quem disse que eu estou aqui para brincadeiras? Veja isso!
  Digo abriu o pacote que estava cheio de pequenos feixes de miriti e disse:
  -- Depressa, Zeca, ainda  cedo. Se comearmos logo, seu barquinho fica pronto para a procisso do Crio. Vamos? Eu vim ajudar voc!
  Zequinha sorriu agradecido e comeou a preparar com o amigo o presente de Nossa Senhora de Nazar.
<86>
<p>
<R+>
 Refletindo e produzindo com Zequinha e Rodrigo
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Por que Zequinha estava to angustiado?
 2. Voc j passou por alguma situao semelhante  de Zequinha? Caso tenha passado, voc contou com algum tipo de ajuda? De quem? Como foi essa ajuda?

 3. Veja a imagem de Nossa Senhora de Nazar, a Virgem de devoo de Zequinha.

<R+>
 _`[{foto: Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braos, um manto 
bordado e uma enorme coroa_`]
 Legenda: Imagem de Nossa Senhora de Nazar, fotografada nas 
festividades do Crio de Nazar, em Belm (PA), 2002.
<R->
<p>
  Responda oralmente:
<R+>
 a) Voc conhece imagens de outros santos? Elas so parecidas com a imagem acima?
 b) De que outro povo os brasileiros catlicos herdaram a devoo  Nossa Senhora de Nazar?
 c) Por que voc acha que essa santa tem esse nome?
<R->
<87>

<R+>
 4. Responda oralmente:
 a) Voc tem algum santo ou santa de devoo? Caso tenha, qual ? Por que voc o(a) escolheu?
 b) Em sua opinio, por que, para muitos brasileiros catlicos,  importante homenagear um(a) santo(a)?
<R->

<R+>
 5. Caso voc seja religioso e sua religio no cultue santos, como voc e os demais membros dessa religio manifestam sua f?
<p>
  Responda por escrito:
 6. Consulte um dicionrio e o glossrio no final do livro para descobrir o significado da palavra *crio*. Escreva-o em seu caderno.
 7. Em sua opinio, por que essa grande festa dos fiis catlicos, em homenagem a Nossa Senhora de Nazar, chama-se Crio de Nazar?
 8. O que Zequinha prometeu a Nossa Senhora de Nazar?
 9. Voc conhece o material que Zequinha usou para cumprir a promessa 
 santa? 
 10. Voc conhece a palmeira miriti. Voc sabe qual  o uso mais tradicional dessa palmeira na festa do Crio de Nazar? Converse sobre isso com os(as) colegas e o(a) professor(a).
<R->

<88>
<p>
<R+>
 11. Veja quanta coisa bonita se faz com as fibras do caule dessa palmeira:
<R->

<R+>
 _`[{barquinhos com o remador, avies, gaiolas, casas e navios, em 
miniatura_`]
 Legenda: Brinquedos feitos com miriti, Belm (PA), 1997.
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
 o Voc j viu brinquedos como esses?
<R->

<R+>
  Responda por escrito:
 12. Esses brinquedos e muitos outros produtos so feitos para serem comercializados durante a festa do Crio de Nazar. Voc conhece outros produtos que costumam ser produzidos e vendidos durante festividades religiosas?
<89>
<p>
  Responda oralmente:
 13. Esses produtos movimentam a economia de Belm e das cidades vizinhas, como Abaetetuba, onde famlias inteiras produzem artesanalmente brinquedos para serem vendidos nessa poca. Em sua opinio, essa produo caseira e seu comrcio so importantes para a economia dessas cidades?
 14. Voc acha importante as prefeituras apoiarem festividades como essa? Justifique sua resposta.
 15. Em sua cidade, h alguma festa religiosa que atrai muitos visitantes e movimenta o comrcio? Se voc responder sim, que produtos costumam ser comercializados?
<R->
<p>
<R+>
 Os nossos povos indgenas foram e esto sendo catequizados, mas...

 ...Quando os missionrios cristos chegaram aqui, os povos indgenas 
j tinham suas prprias religies.
<R->

  Para se tornar um cristo catlico,  preciso conhecer os princpios dessa religio e participar de seus rituais. O batismo  o primeiro ritual de iniciao crist, com a finalidade de purificar uma pessoa para que ela comece a fazer parte da Igreja Catlica, juntando-se aos demais seguidores.
  Depois h a crisma, que  um rito de confirmao da f daquela pessoa.
  A primeira comunho  um ritual que d continuidade  iniciao crist.
  Nessa cerimnia, uma pessoa, geralmente ainda criana, recebe pela primeira vez a hstia, que simboliza o corpo de Cristo.
<90>
  Zequinha, o amigo Digo e outras crianas estavam em uma igreja estudando o catecismo para fazer a primeira comunho.

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc sabe o que  catecismo?
<R->

  Se voc  catlico(a),  possvel at que tenha feito ou esteja fazendo o catecismo, que  um ensinamento religioso. Os fiis da Igreja Catlica catequizam seus novos membros para que eles aprendam como deve ser e agir um cristo catlico.

<R+>
 2. Agora, explique, com suas palavras, o que  primeira comunho.

 3. Observe esta imagem. Ela reproduz uma ilustrao de um
<p>
  livro sobre a vida do padre Antonio Vieira publicado em 1746.

<R+>
 _`[{descrio da imagem: dois indgenas ouvem, atentamente, um 
missionrio_`]
 Legenda: Nessa ilustrao h um missionrio jesuta e dois indgenas nativos das terras que hoje correspondem ao Brasil.
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 4. Em sua opinio, o que o missionrio est fazendo com os indgenas?
<R->

<91>
  Muitos estrangeiros vieram para o territrio que hoje chamamos Brasil para explorar as riquezas desta terra e catequizar os indgenas. Os diversos povos que aqui viviam tinham seus prprios deuses e suas prprias crenas.
  Os povos Guarani, por exemplo, acreditavam, e muitos ainda 
acreditam, que existe uma terra sem
<p>
 males, onde  possvel viver sem medo e sem dificuldades. Para eles, a morte  algo natural, apenas um acontecimento de passagem. Os Guarani acreditam em reencarnao, ou seja, que cada criana que nasce  um velho reencarnado, que voltou  vida.
  Outros povos indgenas, como os Ianomami, acreditavam e ainda acreditam que os espritos dos mortos podem vagar perdidos e atormentar os vivos se seus corpos no forem cremados; aps a cremao, todos os rituais aos mortos devem ser rigorosamente cumpridos. As cinzas dos mortos Ianomami so o bem mais precioso desse povo. Se a aldeia muda de lugar, eles carregam consigo as cinzas dos mortos.
  Os cristos no acreditam em reencarnao e  mais freqente enterrarem os mortos em seus rituais funerrios.

<92>
<p>
<R+>
  Responda oralmente:
 1. Imagine que voc  um jesuta e veio para as terras que hoje chamamos de Brasil com o objetivo de catequizar os povos indgenas, transformando-os em cristos. Como voc faria isso?
 2. Agora, imagine que voc  um indgena. Como voc reagiria diante da tentativa dos estrangeiros cristos de catequiz-lo e transform-lo em um cristo?
<R->

<R+>
 A f no pode ser cega
<R->

  At agora, voc estudou alguns aspectos (ritos, mitos, objetos e 
espaos sagrados, templos etc.) de algumas religies que so 
praticadas no Brasil.
  A partir de 1500, por quase quatrocentos anos, apenas os catlicos 
tinham direito garantido de praticar sua religio em nossas terras. O catolicismo era a religio oficial de Portugal, lugar de origem dos que dominaram os povos indgenas que aqui viviam.  Assim, os portugueses que chegaram s nossas terras, os povos indgenas e outros povos que para c foram trazidos foradamente, como os africanos, deveriam ser ou se tornar catlicos. Os povos indgenas e africanos, unidos ou no, lutaram de diversas maneiras pelo direito de praticar suas religies e vivenciar aquilo que consideravam sagrado.
  Atualmente, no Brasil, a Constituio garante esse direito a todos os povos. Alguns fiis, entretanto, ainda sofrem preconceitos e tm de enfrent-los para manifestar a sua f. Isso acontece, sobretudo, com os praticantes das religies que foram por muito tempo proibidas.

<R+>
 1. Voc lembra o que  a Constituio? Escreva, com suas palavras, o que ela significa.
 2. Considerando o que voc estudou at agora, quais seriam as religies em que seus praticantes ainda sofrem para poder manifestar sua f?
<R->

<93>
  Nos dias de hoje, alguns povos indgenas tm de enfrentar 
missionrios de organizaes estrangeiras, principalmente, os que 
desejam convert-los s religies crists. Muitos praticantes da 
umbanda, do candombl e de outras religies de origem afro-brasileira so obrigados, ainda, a lidar com o preconceito.
  Hoje, a Igreja Catlica no  a mesma de 1500. Alguns de seus membros acreditam que  preciso estar ao lado dos povos que sofreram discriminaes religiosas, sociais e polticas desde a poca em que os portugueses chegaram aqui.

<R+>
 3. Leia o trecho de um artigo escrito por um monge beneditino. Ele 
pertence ao grupo de religiosos catlicos que acreditam que  
necessrio lutar pelo direito de todos os povos poderem
<p>
  manifestar sua f e praticar sua religio.
<R->

  No Brasil, at poucos anos atrs ainda se discriminavam 
protestantes e h quem, at hoje, veja as religies afro-brasileiras 
como coisas do demnio.
  Quem anda pelo interior do Brasil percebe a grande variedade 
cultural e religiosa do povo. Pode tambm ver que as igrejas ainda 
no se educaram para conviver com essa variedade. Aqui e ali, as que 
se estabeleam as bases para que catlicos e evanglicos, cristos e 
no-cristos assinem um novo e mais amplo acordo de paz.

<R+>
 Adaptado do artigo "As religies guerreiras e o Deus da paz", de Dom 
Marcelo Barros.
<R->

<R+>
 4. Responda por escrito:
 a) Quem  o autor do texto acima?
<p>
 b) A que igreja ele pertence?

 5. O autor  um monge beneditino. Pesquise, com a ajuda de seus familiares, em enciclopdias, dicionrios, na Internet etc., o que isso significa e escreva a resposta no caderno.
<94>

 6. Discuta com um(a) amigo(a) as idias apresentadas pelo autor do 
artigo. Depois, faam as atividades a seguir:
 a) Responda por escrito as idias que mais chamaram a ateno de vocs.
 b) Vocs concordam com essas idias? Por qu?

 7. A imagem a seguir retrata um encontro ecumnico ocorrido no Parque do Ibirapuera, em So Paulo (SP), em setembro de 2001.
<p>
<R+>
 _`[{foto: alguns representantes de diferentes religies: hindusmo, 
budismo, espiritismo, catolicismo, protestantismo, judasmo, 
islamismo, candombl_`]
 Legenda: Nesse encontro, organizado pela prefeitura de So Paulo 
(SP), lderes e praticantes de diferentes religies fizeram um ato de 
celebrao pela paz.
<R->

<R+>
 a) Voc sabe o que  um encontro ecumnico? Converse sobre isso com os(as) colegas e o(a) professor(a).
 b) Para voc, todas as pessoas tm o direito de seguir suas prprias religies? Por qu?
<R->

<R+>
 Para saber mais

 *A estrela guia*, de Fernando Lobo. So Paulo: Scipione, 1997.
<p>
 *Bakuru -- Lendas indgenas brasileiras*. CD-ROM interativo. MPO 
Vdeo.
 *Os oceanos: sonhos, mitos e realidades*, de Ana Maria Magalhes e 
Isabel Alada. So Paulo: Scipione, 1999.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<95>
<p>
<R+>
 3- Nossas razes indgenas
<R->

<R+>
 Rota de viagem
<R->

<R+>
 _`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Nessa fotografia de 1998, crianas indgenas Guarani 
mostram o CD *ande Reko Arandu, Memria Viva Guarani*. Nesse CD, 
meninos e meninas de quatro aldeias Guarani, dos estados de So Paulo 
e Rio de Janeiro, uniram-se para gravar seus cnticos.
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Voc j ouviu alguma cano indgena?
 a) Se a sua resposta foi afirmativa, o que achou da cano? 
 b) Voc sabe a qual povo ela pertencia?
<R->

<96>
<p>
<R+>
 2. Observe a foto a seguir.
<R->

<R+>
 _`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: As pessoas que aparecem na foto esto tocando flautas 
*Kamaiur*, na festa do *Kuarup*. Os *Kamaiur*, povo que vive no 
Parque Indgena do Xingu, em Mato Grosso, chamam esse instrumento 
musical de
  *uru*.
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 o Voc j ouviu falar na festa do *Kuarup*?
<R->

<R+>
 3. Que tipo de instrumentos voc acha que os msicos Guarani usam para acompanhar seus cnticos e suas danas?

 4. Voc j viu um instrumento chamado rabeca? Voc sabe que tipo de 
som ele produz? Se sou-
<p>
  ber, tente imit-lo para os(as) colegas.

<R+>
 _`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Nessa foto, uma mulher aparece tocando rabeca, instrumento 
musical utilizado para acompanhar os cnticos dos Guarani.
<R->

<R+>
 5. Voc gosta de cantar? E de danar?
 o Se a sua resposta foi afirmativa, que tipo de msica voc gosta de cantar e de danar?
<R->

<97>
 Cadeira de balano:

 Meu canto  de paz

  A aldeia estava muito agitada quando Taguat-Mirim acordou. Ele 
percebeu que havia muitas pessoas novas por ali: um caminho cheio de 
tcnicos de som, de vdeo e de emissora de TV, alm de fo-
<p>
 tgrafos. Visitantes desse tipo no so estranhos  aldeia, mas, naquela manh, a agitao era fora do comum. Todos circulavam de l para c, deixando Taguat-Mirim meio atordoado, sem saber para onde olhar.
  De repente, ele se lembrou de que todo aquele movimento fazia parte 
dos preparativos para a gravao do CD de canes Guarani.
  Valrio, seu professor, havia comunicado o acontecimento. Taguat e 
as demais crianas da aldeia viajariam para outra aldeia Guarani, em 
Ubatuba, no estado de So Paulo, para conhecer crianas daquela e de 
outras aldeias indgenas. Todas elas, juntas, iriam gravar um CD de cnticos Guarani.
  Taguat se aproximou e viu Valrio no meio da aglomerao. Ele 
estava muito atarefado: organizava um grupo de crianas para se 
pintarem, ao mesmo tempo que pedia aos meninos que fizessem uma roda 
para danar o Xondaro. Todos os preparativos eram para que fotgrafos e jornalistas das TVs e jornais ali presentes pudessem registrar o evento.
<98>
  Taguat, bastante desconcentrado, executou os movimentos da dana Xondaro. No final da dana, Valrio chamou as crianas para um ltimo ensaio dos cnticos sagrados dos Guarani antes de partirem para Ubatuba. Taguat-Mirim estava to distrado que no ouviu seu professor. Ento, Valrio disse:
  -- Taguat-Mirim, voc no realizou nenhuma atividade com concentrao! Seu pensamento est longe, voc parece que est ouvindo o canto de Iara!
  -- Desculpe-me, Valrio, ouvi dizer que o canto de Iara  lindo, mas eu ainda no ouvi, no...
  -- Estou apenas brincando com voc, criana. Voc parece preocupado. Est areo? O que anda passando por essa cabecinha?
  -- Eu estava aqui pensando: ser que as pessoas que no so Guarani 
vo entender nossos cnticos? Como eles sero recebidos por essas pessoas? Onde eles sero ouvidos? Como sero ouvidos?
<99>
  Ento, Valrio disse:
  -- Taguat-Mirim, seu esprito  mesmo de um pequeno gavio. Seu 
pai estava certo quando escolheu esse nome para voc. Seus 
pensamentos voam alto como esse pssaro, que  o dono do cu. Mas no se preocupe, no h razo para isso. Ns vamos gravar o disco, porque  importante para ns, para o nosso povo.  importante, porque assim podemos mostrar um pouco da nossa cultura por meio da nossa msica. Podemos mostrar para quem no  Guarani que, mesmo depois de tudo o que j passamos, nosso povo ainda preserva o que  valioso para ns. Por meio de nosso cntico sagrado, criamos um mundo de paz. Um mundo em que brancos, vermelhos, pretos, amarelos, enfim, todos os povos e as culturas sejam irmos. Aquiete seu esprito, criana. Nos nossos prximos encontros, vamos descobrir mais sobre os nossos motivos para gravar esse CD, e voc vai concordar comigo, tenho certeza.
<100>
  -- Est bem, Valrio, voc tem razo. J estou convencido! Cantar faz bem para alma e para o corao. Acho que quando as pessoas ouvirem o nosso canto vo sentir a fora que ele traz.
  Taguat-Mirim concentrou-se e, com muito orgulho, comeou a cantar com as demais crianas

<R+>
 "Oreru nhamand tup oreru oreru nhamand tup oreru nhamand tup 
oreru"

 (Esses versos so da cano "Oreru Nhamand Tup", que faz parte do 
*CD ande Reko
  Arandu -- Memria Viva Guarani*. So Paulo: MCD World Music, 2002. 
~,www.mcd.com.br~,)
<R->

<101>
<R+>
 Refletindo e produzindo com Taguat-Mirim
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 1. A cano sagrada, cantada por Taguat-Mirim e as outras crianas da aldeia, chama-se *Oreru Nhamand Tup*. Vamos descobrir o que ela diz? Leia a traduo:

 Nossos pais, sol e trovo, nossos pais
 Nossos pais, sol e trovo, nossos pais
 Sol e trovo, nossos pais

 a) Voc gostou do significado desse canto sagrado?
 b) Voc costuma cantar alguma cano que  considerada sagrada por voc e sua famlia?
 c) Em sua opinio, por que nesse cntico Guarani o sol e o trovo so louvados?
<p>
 2. Releia a histria de Taguat-Mirim e descubra o significado do nome dele.

 Cantar e danar so meios de se encontrar
<R->

  A msica e a dana so muito importantes para a maioria dos povos indgenas. Especialmente entre os Guarani, a msica ocupa um lugar privilegiado.  por meio dela que esses povos se comunicam com os espritos da natureza.
  Os Guarani compem canes para rezar, para promover a fertilidade, para as cerimnias de batismo, para brincadeiras, para contar histrias, para embalar crianas.
  Danar e cantar, para os povos indgenas de uma forma geral, so meios de entrar em contato com os deuses, de agradecer a eles, de fazer-lhes pedidos. Danar e cantar tambm so modos de homenagear os espritos dos mortos ou fortalecer guerreiros e guardies da aldeia.
   tambm por meio das canes e das danas que os povos indgenas mantm a unio de sua comunidade.
<102>

<R+>
 1. Observe a descrio do desenho a seguir. Ele foi produzido por Mariano Tup Mirim, um jovem Guarani da aldeia Itaoca, que fica em Mongagu, estado de So Paulo.

<R+>
 _`[{um grupo de jovens indgenas de mos dadas_`]
 Legenda: *Canto e danas Guarani na aldeia Itaoca*, de Mariano Tup Mirim, 1999.
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 a) O que Mariano representou nesse desenho?
 b) Por que a msica e a dana so to importantes para os povos indgenas?
<p>
 2. Voc conhece outros grupos que usam o canto e a dana para expressar sua religiosidade?
 3. Em quais situaes voc canta? E em quais voc dana?
 4. Como voc se sente quando canta? E quando dana?
<R->

<103>
<R+>
 Dana para guerreiros e guardies

 1. Observe atentamente o desenho de Silvio Kara, jovem Guarani e tambm morador da aldeia Itaoca. Ele intitulou seu desenho de "Xondaro tentando se livrar do monstro".

<R+>
 _`[{no desenho aparecem duas personagens:  esquerda v-se um ndio 
musculoso,  direita, um gorila_`]
 Legenda: *Xondaro tentando se livrar do monstro*, de Silvio Kara, 
1999.
<R->
<p>
<r+>
  Responda oralmente:
 a) Quem seria o Xondaro no desenho de Silvio Kara?
 b) E quem seria o monstro?
<R->

  Voc deve ter deduzido corretamente, ao observar o desenho, que Silvio desenhou um guerreiro, o Xondaro,  esquerda. Ele est tentando se livrar de um terrvel monstro, representado  direita. Na histria de Taguat-Mirim voc soube que ele danou o Xondaro.

<R+>
 2. O que significa, afinal, a palavra *Xondaro*? Um guerreiro? Um 
ritmo? Uma dana? Leia o texto a seguir e tente descobrir.
<R->

<104>
  Na cultura tradicional dos Guarani existiam dois tipos de Xondaro: o religioso e o destinado  defesa.
  Os antigos Guarani, por meio de uma dana, preparavam os *Xondaro 
ocaygu*. Estes eram os guardies, homens especializados em guardar a 
casa de reza, chamada *opy*, um espao sagrado para o povo Guarani. 
Havia tambm os *Xondaro ovay*, que aprendiam, por meio da mesma 
dana, as tcnicas de defesa e caa para se tornarem guerreiros e 
caadores. Os jovens aprendiam, ento, como caminhar, manejar o arco, 
a flecha, a borduna* etc.
  Hoje, os papis dos Xondaro mudaram nas aldeias Guarani. Eles so os atuais guardies das aldeias, cuja funo  receber os visitantes de outras aldeias.
  Nas aldeias Guarani atuais, a dana Xondaro  realizada ao 
anoitecer, antes das rezas tradicionais. Os msicos tocam violo, rabeca, tambor, chocalho e varetas, produzindo uma msica instrumental ritmada, com compassos bem marcados, acompanhada pelas palmas da platia, geralmente formada pelas meninas e jovens da aldeia. Num grande crculo, os meninos danam para se exercitar e manter o equilbrio do corpo. A dana Xondaro d fora e equilbrio fsico e espiritual s crianas Guarani.

<105>
<R+>
 Msica, dana e luta de renascimento
<R->

  Era uma vez um deus criador chamado *Mavutsinim*. Segundo o mito do povo Kamaiur, que vive no Xingu, esse deus foi o primeiro homem da terra e por isso vivia solitrio. Cansado disso, pegou uma concha e a transformou em mulher, e com ela teve filhos, dando origem ao povo Kamaiur. Mas seus parentes morriam e isso entristecia a ele e a seu povo. Ento, ele inventou o Kuarup, um ritual mgico capaz de fazer reviver as pessoas por meio de troncos de madeira.
  Hoje, quando o povo Kamaiur e seus convidados celebram o
 Kuarup, revivem esse mito. Eles desejam que os mortos renasam ou descansem em paz nos campos sagrados.

<R+>
 _`[{foto: indgenas, com os corpos pintados, formam duplas para 
celebrar o Kuarup_`]
 Legenda: Povo Kamaiur celebrando o Kuarup. Aldeia Yawalapiti, Parque Indgena do Xingu (MT), 1999.
<R->

  Vamos conhecer um pouco mais sobre o Kuarup?

<106>
<R+>
 1. Preste muita ateno na letra da toada a seguir. Examine a 
descrio das fotografias produzidas durante a festa do
  Kuarup, na aldeia Yawalapiti, no Parque Indgena do Xingu, em Mato Grosso, em 1999, que ilustram a cano. Depois, resolva as atividades das pginas seguintes.
<R->
<p>
<R+>
 Kuarup
 Tony Medeiros

 Vai comear
 A grande festa do Xingu
 Todos os guerreiros
 preparados para o
 grande ritual

 Ecoa na mata
 O som do uru
 Flauta sagrada
 das tribos do Xingu
 Toda tribo canta
 E dana sem parar
 Kuarup ritual Kamaiur

<107>
 Todos os pajs
 So convocados
 Para a festa do Xingu
 E muitas etnias se renem
 Para o grande ritual

 Kuarup  o tronco
 do velho ancestral*
 Ritual sagrado
 Das tribos do Xingu
 Toda tribo canta
 E dana sem parar
 Kuarup ritual Kamaiur

<R+>
 *Toada do bumba Garantido*, no festival de Parintins (AM), de 1999. Gravao: David
  Assayg.
 (~,tonymedeiros@bol.com.br~,)

 _`[{foto a: grupo de indgenas pintando o rosto e o corpo;
  Foto b: indgenas danando e tocando uru;
  Foto c: dois indgenas lutam na celebrao do Kuarup;
  Foto d: indgenas carregando troncos;
  Foto e: indgenas pintando e enfeitando troncos;
  Foto f: grupos de indgenas, de diferentes etnias, sentados no cho  
para participar do ritual_`]
<R->

<108>
<R+>
  Responda oralmente:
 2. De acordo com a letra da toada que voc acabou de ler,
<p>
  Kuarup  um tronco. O que voc entende sobre essa informao?
 3. Onde acontece o Kuarup segundo a letra da toada e as informaes fornecidas na atividade 1?
 4. No ritual do Kuarup os pajs tm grande importncia. Voc sabe o que significa a palavra paj?
 5. O ritual do Kuarup, segundo a letra, foi criado pelos
  Kamaiur. Ser que apenas eles praticam esse ritual? Leia novamente a letra da toada para descobrir.

 6. Vamos fazer um "ensaio fotogrfico"? Para isso, observe novamente 
as fotos que ilustram a letra da toada e imagine que voc  o autor 
dessas fotos, que as produziu durante uma viagem ao Xingu e 
fotografou os preparativos e a cerimnia do
  Kuarup. Agora  o momento 
de organizar as fotos para falar
<p>
  sobre essa cerimnia  turma. Mos  
obra!
 a) As fotos esto identificadas por letras. Considerando essa identificao, em que ordem voc as organizaria? Quais voc apresentaria em primeiro lugar?
 b) Que explicaes voc daria aos colegas para que eles entendessem 
o que  a festa do
  Kuarup?
 c) Depois de organizar as fotos e informaes por escrito, explique aos colegas o que  o Kuarup.

  Responda oralmente:
 7. Voc acha que o Kuarup  importante para os povos do Xingu? Por qu?
<R->

<R+>
 Para saber mais

 *Juntos na aldeia*, de Lus Donisete Benzi Grupioni. So Paulo: Berlendis e
  Vertecchia, 1997.
 *O povo Patax e suas histrias*, de Angthichay, Arariby, Jassan, Manguah, Kantyo e outros. So Paulo: Global, 1999.
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

 Fim da Segunda Parte